Em meados de 1832, os filhos do sexo masculino dos senhores
tinham privilégio as letras, enquanto as filhas do sexo feminino eram ensinadas
as prendas domésticas de casa. Mestres como os irmãos Manuel Martiniano e José
Quintino de Medeiros, além de outros, tinham escolas particulares onde, ao soar
da palmatória, iam educando os filhos daqueles senhores que tinham condições de
pagar mensalidades. Havia crianças que ficavam nas janelas dessas
residências/escolas, observando o professor ministrar suas aulas, porque não
tinha condições financeiras para frequentá-las.
Em fins de 1924 e
início de 1925 foi fundada a escola, junto a outras, espalhadas pelo estado,
sob o título de "Escolas Reunidas", funcionando no prédio que hoje é
a prefeitura Municipal de São João do Sabugi/RN. Para a construção dessa escola
foi feita uma campanha, liderada por Francisco Quinino de Medeiros, angariando
tijolos, algodão, feijão, arroz e outros, a fim de angariar recursos
necessários às despesas. As pessoas "de condições" ajudaram e
Francisco Quinino, que já que era o professor particular, teve seu objetivo
concluído, tornando-se o primeiro professor do que seria, mais tarde, o Grupo
Escolar. Também foi professor nesse tempo, a Senhora Isabel Fernandes. É como a
quantidade de alunos foi aumentando consideravelmente, vieram professores de Natal,
alguns dos quais também atuaram como diretores, tal qual Nicales de Oliveira.
Este educandário
passou a Grupo Escolar pela Lei n° 206, de 7 de dezembro de 1949, da Assembléia
Legislativa do Rio Grande do Norte, que foi sancionada na administração do
ex-governador Dr. José Augusto Varela, recebendo como patrono o Senador José
Bernardo, sabugiense que destacou-se na vida política e que, aliás, já
dava nome à escola. O Senador José Bernardo de Medeiros havia sido aluno do
Padre Joaquim Félix de Medeiros, de quem recebera influências para seguir a
carreira política e, embora tenha sido um político brilhante, não possuía
muitas letras.
A clientela ia
aumentando à medida que a população crescia. Necessário se fez a construção de
uma escola maior e prédio, onde esta escola funciona hoje, foi construído. O
fato ocorreu no governo de Antônio Quintino de Araújo, com verbas recebidas
pelo INEP, Instituto Nacional de Estudos Pedagógicas.
Com o tempo houve modificações
nas instalações desse prédio, que teve como primeira diretora, em suas
instalações, Cacilda Araújo, a qual ainda atuou em outros períodos, perfazendo
um total de 19 anos de direção, quando residiu, inclusive, na própria escola.
Os demais diretores foram: Rita de Assis Lins, Teresinha Paiva de Moraes,
Loudes de Araújo Brito, Rosa Brito, Irian de Medeiros Pereira, Adélia Brito,
joão Batista Galvão, Francisco das Chagas Galvão, Walquíria Chaves Fernandes,
João batista de Brito, Maria Bernate de Araújo, Ubirajara morais da Nóbrega, e,
na gestão atual, Ivan de Araújo Gorgônio.
No ano de 1954, foi
criado o Curso Profissional Feminino, tendo como professora Maria das Mercês
Araújo. O referido curso tinha a duração de três anos e os alunos nele
ingressavam ao terminarem o primário. Nesse curso as senhoras aprendiam a fazer
flores de papel, de tecido, de folha seca de bananeira, de casca de laranja e
outras. Outros professores que atuaram no curso profissionalizante foram Irian
de Medeiros Pereira e Severina Paiva da Gama Azevedo, que junto com Maria das
Mercês, orientaram as alunas até 1975, aproximadamente.
Em 1980 a Escola Estadual Senador
José Bernardo foi atualizada a funcionar como estabelecimento de ensino de
Primeiro Grau, através da portaria nº 452/1980 - SEC/GS, de 20 de agosto de
1980, publicada no Diário Oficial do Estado no dia 22 do mesmo mês e ano,
retroagindo os seus efeitos ao ano de 1924, tendo em vista o que consta no
processo nº 022175/79 - SEC. Embora tenha sido autorizada para funcionar o
Primeiro Grau como um todo, só funcionava até a 4ª série.
A Escola foi
transformada em estabelecimento de ensino de 1º e 2º Graus, através do Decreto
nº 8.863 de 01 de dezembro de 1984. O segundo grau funcionou inicialmente com
os cursos profissionalizantes de auxiliar de escritório e Magistério, sendo
criado posteriormente o curso de Auxiliar de Secretário Executivo. Ambos foram
se extinguindo até 1997.
No momento o mesmo
não conta com o ensino infantil, no tocante a turmas de Pré-Escolar, aquelas
que em anos anteriores a década de 1980, eram chamadas de Jardim de
Infância.
Essa é uma história
que merece o nosso apreço e respeito, porque esta escola, de saber
sistematizado e legal é, pela sua idade, um sedimento na educação municipal. É
ROCHA!!!