segunda-feira, 21 de maio de 2012

Escolas Reunidas: "O Berço"

   Em meados de 1832, os filhos do sexo masculino dos senhores tinham privilégio as letras, enquanto as filhas do sexo feminino eram ensinadas as prendas domésticas de casa. Mestres como os irmãos Manuel Martiniano e José Quintino de Medeiros, além de outros, tinham escolas particulares onde, ao soar da palmatória, iam educando os filhos daqueles senhores que tinham condições de pagar mensalidades. Havia crianças que ficavam nas janelas dessas residências/escolas, observando o professor ministrar suas aulas, porque não tinha condições financeiras para frequentá-las.
   Em fins de 1924 e início de 1925 foi fundada a escola, junto a outras, espalhadas pelo estado, sob o título de "Escolas Reunidas", funcionando no prédio que hoje é a prefeitura Municipal de São João do Sabugi/RN. Para a construção dessa escola foi feita uma campanha, liderada por Francisco Quinino de Medeiros, angariando tijolos, algodão, feijão, arroz e outros, a fim de angariar recursos necessários às despesas. As pessoas "de condições" ajudaram e Francisco Quinino, que já que era o professor particular, teve seu objetivo concluído, tornando-se o primeiro professor do que seria, mais tarde, o Grupo Escolar. Também foi professor nesse tempo, a Senhora Isabel Fernandes. É como a quantidade de alunos foi aumentando consideravelmente, vieram professores de Natal, alguns dos quais também atuaram como diretores, tal qual Nicales de Oliveira.

    Este educandário passou a Grupo Escolar pela Lei n° 206, de 7 de dezembro de 1949, da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte, que foi sancionada na administração do ex-governador Dr. José Augusto Varela, recebendo como patrono o Senador José Bernardo, sabugiense que destacou-se  na vida política e que, aliás, já dava nome à escola. O Senador José Bernardo de Medeiros havia sido aluno do Padre Joaquim Félix de Medeiros, de quem recebera influências para seguir a carreira política e, embora tenha sido um político brilhante, não possuía muitas letras.
   A clientela ia aumentando à medida que a população crescia. Necessário se fez a construção de uma escola maior e prédio, onde esta escola funciona hoje, foi construído. O fato ocorreu no governo de Antônio Quintino de Araújo, com verbas recebidas pelo INEP, Instituto Nacional de Estudos Pedagógicas.
   Com o tempo houve modificações nas instalações desse prédio, que teve como primeira diretora, em suas instalações, Cacilda Araújo, a qual ainda atuou em outros períodos, perfazendo um total de 19 anos de direção, quando residiu, inclusive, na própria escola. Os demais diretores foram: Rita de Assis Lins, Teresinha Paiva de Moraes, Loudes de Araújo Brito, Rosa Brito, Irian de Medeiros Pereira, Adélia Brito, joão Batista Galvão, Francisco das Chagas Galvão, Walquíria Chaves Fernandes, João batista de Brito, Maria Bernate de Araújo, Ubirajara morais da Nóbrega, e, na gestão atual, Ivan de Araújo Gorgônio.

   No ano de 1954, foi criado o Curso Profissional Feminino, tendo como professora Maria das Mercês Araújo. O referido curso tinha a duração de três anos e os alunos nele ingressavam ao terminarem o primário. Nesse curso as senhoras aprendiam a fazer flores de papel, de tecido, de folha seca de bananeira, de casca de laranja e outras. Outros professores que atuaram no curso profissionalizante foram Irian de Medeiros Pereira e Severina Paiva da Gama Azevedo, que junto com Maria das Mercês, orientaram as alunas até 1975, aproximadamente.
   Em 1980 a Escola Estadual Senador José Bernardo foi atualizada a funcionar como estabelecimento de ensino de Primeiro Grau, através da portaria nº 452/1980 - SEC/GS, de 20 de agosto de 1980, publicada no Diário Oficial do Estado no dia 22 do mesmo mês e ano, retroagindo os seus efeitos ao ano de 1924, tendo em vista o que consta no processo nº 022175/79 - SEC. Embora tenha sido autorizada para funcionar o Primeiro Grau como um todo, só funcionava até a 4ª série.
     A Escola foi transformada em estabelecimento de ensino de 1º e 2º Graus, através do Decreto nº 8.863 de 01 de dezembro de 1984. O segundo grau funcionou inicialmente com os cursos profissionalizantes de auxiliar de escritório e Magistério, sendo criado posteriormente o curso de Auxiliar de Secretário Executivo. Ambos foram se extinguindo até 1997.
    No momento o mesmo não conta com o ensino infantil, no tocante a turmas de Pré-Escolar, aquelas que em anos anteriores a década de 1980, eram chamadas de Jardim de Infância. 
    Essa é uma história que merece o nosso apreço e respeito, porque esta escola, de saber sistematizado e legal é, pela sua idade, um sedimento na educação municipal. É ROCHA!!!


Djanira Araújo


















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